
Barack Obama é eleito o 44o. presidente dos EUA (Foto: Folha de SP)
Século 21? Era de Aquário? Não importa, they finally caved in. Neste histórico 05 de novembro de 2008, o mundo elegeu para si um presidente negro. Meio negro, inter-racial, negro e branco, elitista, não importam o fenotipo ou o posicionamento político: ele é negro. Barack Obama, 47, acaba de ser eleito o primeiro presidente afro-descendente da história dos Estados Unidos, um país marcado pela segregação racial, berço da Ku Klux Klan. Igreja de negro, bar de negro, escola de negro, até os anos 60, eles não tinham direito pleno ao voto (leia sobre a histórica Marcha sobre Washington), quase 50 anos depois, ocupam o cargo máximo do governo. Do mundo. Mas como é que fica? O que isso representa?
Black but not that much
Como bem pontuado na biografia de Obama, no site da Folha, "Em uma medida muito bem planejada de sua campanha, Obama prefere não utilizar o rótulo de presidente negro, tão citado por seus eleitores e pela mídia. Cauteloso, ele não quer ficar estereotipado como candidato de um único eleitorado e arriscar perder importantes grupos demográficos do país." A ação foi, no mínimo, perspicaz. Para se destacar e conseguir infiltrar-se no círculo mais fechado da política norte-americana, vale qualquer estratégia. Obama é formado em Direito, pela Universidade de Harvard, seu pai, o queniano Barack Hussein Obama, também foi educado em Harvard. Conheceu sua mulher, Michelle, na mesma universidade, daí entende-se que a cor de Barack pouco tem a ver com o estereótipo de classe minotária e humilde. Nem mesmo quando voltou a viver no Havaí, onde nasceu, com os avós maternos e brancos, o novo presidente chegou a passar por dificuldades que justificassem o "American dream", aquele em que o homem simples vence, apesar das dificuldades. Se Obama tem algum mérito, é o da educação, cujo exemplo já estava embuído na figura paterna.
Thank you, Hillary
As expectativas em torno do governo de Obama são infinitas. Carismático, com apenas 11 anos de vida política, conseguiu chegar ao grau máximo da carreira, no cargo almejado por qualquer político mundial desde criança. E, de quebra, ainda venceu a sucessora natural para a Casa Branca, queridíssima no partido e entre a população, a notória e badalada Hillary Clinton. Obama ganhou o ticket dourado aí, quando ganhou a preferência e se sagrou o candidato dos democratas.
Foi como um popular senador pelo estado de Illinois que Barack despontou como possível força para concorrer às eleições. Apostando na mudança ("Change we need"), lema de sua campanha, que atacou desde o início a atual administração, o novo presidente foi angariando as pequenas votações e assembléias até a conquista dos superdelegados do partido que o apoiaram sem hesitação. Nesse instante, Obama assumiu a figura que se espereva dele: viajou o mundo em campanha, fez comício para milhares na Alemanha, encantou a França e consolidou a pecha de político moderno e capaz, pronto pra salvar o planeta, no melhor estilo herói de quadrinhos. O mundo se rendeu e começou a torcer por ele.
The snake charmer
É preciso lembrar que o novo presidente nunca exerceu um cargo administrativo, nem de baixo, nem de alto escalão. De carreira política efetiva, apenas os mandatos de deputado estadual, de 1997 a 2004, e de senador, até o início da campanha presidencial, ambos por Illinois. Foi um hábil advogado especialista em direitos civis e um legislador tido como liberal moderado que conseguia trabalhar com os membros dos partidos democrata e republicano, os únicos do país.
É tido por alguns como a grande encarnação do sonho americano de reconciliação racial entre brancos e negros e sobre a questão, chegou a declarar, durante a campanha: "Não existem Estados Unidos negros e Estados Unidos brancos, Estados Unidos latinos e Estados Unidos asiáticos. Somos um único povo, todos jurando fidelidade à bandeira estrelada, todos defendendo os Estados Unidos da América".
Resta esperar que eles não tenham elegido a sua versão de líder populista, encantador das multidões, e que as habilidades de Obama se convertam em uma gestão eficiente que realmente ultrapasse questões menores como a cor da pele do presidente. Olhando a crise de frente, nesse momento um "super-herói" até que viria bem a calhar.
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